Cenário de Avaí e Figueirense no brasileiro preocupa

18.05.2026

Cenário de Avaí e Figueirense no brasileiro preocupa

O cenário dos dois clubes Figueirense e Avaí realmente preocupa, principalmente porque os problemas dentro de campo acabam refletindo diretamente no ambiente financeiro e institucional.

No caso do Figueirense, o que mais chama atenção é a dificuldade de transformar o fator casa em vantagem. O Estádio Orlando Scarpelli historicamente sempre foi um estádio complicado para adversários, mas nesta Série C o time perdeu força jogando diante da torcida. A vitória sobre o Amazonas, fora de casa parecia um ponto de virada, especialmente pela entrega defensiva, mas a derrota para o Itabaiana, no Scarpelli, mostrou novamente a instabilidade da equipe. São quatro jogos em casa e três derrotas. Em Série C, onde a margem de erro é pequena e o campeonato é muito equilibrado, oscilar em casa costuma custar caro.

Já o Avaí passa por um problema diferente. O desempenho em vários jogos não é ruim, mas falta eficiência ofensiva. O time cria, compete, consegue momentos de controle, mas não converte as chances em gols. Essa sequência de sete jogos vitórias na Série B aumenta a pressão psicológica e faz qualquer erro pesar mais. A semifinal da Copa Sul sudeste contra o Volta Redonda FC, primeiro jogo nesta quarta-feira, pode até servir como oportunidade de recuperação emocional, mas também divide atenções em um momento delicado da Série B.

A parte financeira talvez seja o ponto mais preocupante dos dois clubes. Salários atrasados, dívidas acumuladas e busca por investidores criam um ambiente de instabilidade permanente. E você toca num ponto importante: SAF não é garantia automática de solução. Existem exemplos positivos no futebol brasileiro, mas também há casos em que o clube perde poder de decisão, assume contratos ruins ou continua endividado mesmo após a venda.

Uma SAF bem estruturada precisa:

  • proteção do patrimônio do clube;
  • metas claras de investimento;
  • regras de governança;
  • garantias de pagamento das dívidas;
  • compromisso esportivo de médio e longo prazo.

Sem isso, a SAF pode apenas trocar o tipo de problema. Muitos torcedores enxergam a SAF como “salvação imediata”, mas gestão ruim continua sendo gestão ruim, mesmo com novo dono.

Hoje, tanto Avaí quanto Figueirense parecem viver algo parecido: dificuldade esportiva, pressão da torcida, pouca margem financeira e necessidade urgente de estabilidade administrativa. O risco é entrar num ciclo em que o problema financeiro derruba o desempenho esportivo, e o mau desempenho reduz ainda mais receitas e capacidade de recuperação.

Fabiano Linhares

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Fabiano Linhares


Jornalista esportivo com mais de 20 anos de experiência. Formado em Jornalismo pela Unisul. Apresentador do programa Marcou no Esporte Debate.

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